III Jornada de Debates
na Mineração 

22 a 24 de novembro de 2021

A proposição da Jornada de Debates na Mineração, iniciada em 2019, emerge com o intuito de aprofundar o debate sobre o ‘problema mineral brasileiro’, desde o mundo do trabalho e consumo, aos conflitos territoriais advindos da superexploração da natureza na atividade mineradora. Logo, faz-se necessário construir ações conjuntas e simultâneas para repercussão interna, no ambiente acadêmico formal, que fortaleçam a perspectiva da soberania popular na mineração e da defesa dos bens naturais do povo brasileiro. Ao mesmo tempo, fazendo uso de meios de comunicação diversos e de mídias alternativas.

Desde os eventos de rompimentos de barragens de rejeito das mineradoras Samarco (2015) e Vale S.A. (2019), que se localizavam nos municípios mineiros de Mariana e Brumadinho, respectivamente, o debate acerca do ‘problema mineral’ ganhou maior visibilidade na sociedade brasileira. Acreditamos que esse movimento seja necessário, uma vez que, as reverberações da atividade mineral enquanto problemática, atravessam os povos, os territórios e as múltiplas formas de vida, com consequências danosas, como as observadas nos episódios citados anteriormente.

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Acreditamos, também, que ‘o problema mineral brasileiro’ pertence a toda a sociedade, pela totalidade dos povos, dos territórios e das formas de vida. Posto isso, urge a necessidade de debatê-lo qualificadamente com vistas à superação das formas de dominação e desigualdade que o atual modelo mineral impõe. Assim, a escolha do mês de novembro reside na triste, porém necessária, rememoração do desastre-crime (conceito trabalhado pelo CRIAB e abordado neste texto aqui) da barragem de Córrego do Fundão, em Mariana/MG, sob responsabilidade da Samarco/Vale/BHP Billiton, ocorrido em 5 de novembro de 2015. Um dos maiores ecocídios em território brasileiro. Importante pontuarmos que todo ecocídio é um genocídio e vice-versa. 

Como forma de contribuir para esse debate de suma importância acadêmica e política, o CRIAB (Grupo de Ação e Pesquisa em Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens), em parceria com a_Ponte (ONG de divulgação de geociências crítica), o Fórum Popular da Natureza, a Escola Popular da Natureza e o MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), organizam, pelo 3º ano consecutivo, esta jornada - de 22 a 24 de novembro. O objetivo é dar visibilidade a algumas práticas e consequências da mineração que são silenciadas. Pretendemos, dentro da multiplicidade  de questões que competem ao debate mineral, nos ater/debruçar a/em três problemáticas que contribuem para pensar os impactos da atividade para além da cava e dos eventos de rompimentos. Partiremos de uma análise mais global para uma mais específica organizadas em três eixos:

(1) Economia política da mineração e perpetuação da lógica colonial; (2) Mulheres e mineração: as opressões de gênero, raça e classe; (3) Mineração para além da cava: reflexos na crise habitacional.

Mais detalhes sobre a descrição, a apresentação das/os palestrantes e a conjuntura temática das mesas, leia aqui.

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O evento será gratuito e contará com a emissão de certificados.