• Talita Gantus

O papel das geociências nos desafios da sociedade no século XXI

Atualizado: Abr 13

O sistema terrestre é o conjunto de elementos que formam o ambiente global. Esses elementos garantem o funcionamento dos componentes do planeta Terra em sua superfície, bem como as suas recorrentes transformações ao longo do tempo. Tais componentes naturais – atmosfera, geosfera, hidrosfera e biosfera – interagem entre si, estabelecem trocas e influenciam uns aos outros. Compreender esse sistema é, portanto, estabelecer as bases para a compreensão do planeta, de forma a entender seus ciclos e seus processos naturais. O pensamento científico geológico, por sua vez, baseia-se na observação, sob perspectiva do tempo, de como esse sistema interage nas diferentes esferas.


No que tange essa perspectiva e a sequência evolutiva que se estabelece, observa-se que a marca humana no ambiente se tornou tão grande e ativa que disputa com algumas das forças da natureza em seu impacto sobre o planeta. Embora a influência humana sobre o meio ambiente seja reconhecida desde o século XIX, o termo Antropoceno foi cunhado na comunidade científica recentemente. Este termo representa uma nova época na história da Terra.


Explora-se as tendências da evolução do Antropoceno pelo modo como a humanidade prossegue no século XXI. O humano é ser inserido na natureza, mas sua inserção é marcada por complexas transformações ambientais. A complexidade e a crescente interação das atividades humanas com a dinâmica do meio natural têm exigido que questões de natureza ambiental passem a dialogar com e pela sociedade.


Existe hoje uma defasagem na ampla difusão de conhecimentos geocientíficos. E a falta de compreensão dos processos e mecanismos de evolução do planeta levam a uma irresponsável interação. Faz-se necessária uma verdadeira conscientização sobre problemas que envolvem, por exemplo, a gestão de riscos geológicos, o modus operandi da cadeia extrativa de recursos naturais não renováveis e o alto consumo de combustíveis fósseis (que causa impactos em escala global).


A aplicação de conhecimentos geocientíficos, em conjunto com uma sociedade politicamente participativa, podem levar à promoção de mudanças de costumes, de atitudes e de valores. E, ainda, contribuem para a formação de indivíduos atuantes na realidade local e capazes de promover transformações no ambiente de forma ecologicamente consciente e geologicamente planejada.


A importância desse estabelecimento de relações reside em compreender os fenômenos naturais e socioambientais de forma contextualizada. Desse modo, um fenômeno natural – deslizamento de terra, terremoto, vulcanismo, seca, dentre outros – é analisado de modo abrangente e que considere a sua localização geológica e geográfica e o tempo geológico e humano.


Se trabalhada numa perspectiva de atuação sistêmica, contrapondo-se à visão antropocêntrica, esse conjunto de conhecimentos e ideias torna-se essencial para promover uma nova relação do ser humano com a natureza.


Não podemos regular a dinâmica natural do planeta evitando que um perigo natural ocorra, mas podemos evitar que esse perigo se torne um desastre. O desastre, como produção social, envolve sistemas de gestão e governança para sua redução, e planos de resiliência como resposta. Evitando, assim, disrupção social e danos humanos. As geociências têm papel fundamental nessa construção. Não apenas centrando na compreensão do passado, mas refletindo sobre o futuro e sobre formas de ação para previsão, mitigação e reabilitação de comunidades afetadas.


Não podemos impedir que a temperatura terrestre chegue, na escala de tempo geológico, em níveis extremos, mas podemos evitar que essa temperatura atinja níveis críticos na escala de tempo histórico. Para tanto, as geociências se mostram com um abrangente know-how técnico para conscientizar a população. As mudanças climáticas representam uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para a sociedade humana e para o planeta.


Não precisamos suspender as atividades extrativistas dos recursos naturais, mas podemos geri-los de modo mais sustentável e consciente. Satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.


Se almejamos um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, devemos utilizar todo o conhecimento sobre o planeta Terra com maior sabedoria que a despendida até então.




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