revista #1

Segundo Platão, na 'Alegoria da Caverna', "o homem só poderia se libertar da ignorância quando saísse do mundo das sombras e visse o mundo real do lado de fora". Fazendo uma releitura dessa alegoria a partir de um olhar espeleológico, é impossível não se impressionar com as belezas escondidas pela escuridão absoluta, inúmeras espécies endógenas e curiosas formações rochosas em um ambiente tão delicado e único,  abrindo caminhos a um mundo novo, até então desconhecido. Para além da materialidade das cavernas, existem várias outras cosmovisões associadas a esses ambientes, que comumente são relegadas pelo conhecimento racional. Talvez seja isso o que nos impede de nos sentirmos parte integrante de um sistema planetário e de superar a dicotomia humano-natureza: a racionalização excessiva.

 

Para descolonizar o imaginário de uma filosofia (quase sempre) eurocentrada e racional, viemos trazer à luz das ideias a importância material, imaterial e simbólica que o infindo ecossistema conectado por uma caverna pode trazer consigo. 

 

Esse ecossistema compreende um universo para além das infinitas espécies de fauna e flora que (re)existem para, de fato, existir nessa época geológica - chamada por umas de Antropoceno, por outras de Capitaloceno. Avanço da mineração, dos grandes empreendimentos, dos gananciosos circuitos da indústria turística, do agronegócio: se, depois disso, sobrar, por fim, uma estalactite intacta, uma árvore em pé, uma gota de rio limpo e um ancestral vivo para contar a história, talvez seja tarde demais. Queremos todos vivos e de pé. Somos muitas espécies e seres dividindo espaço na Terra, e são bastante diversas as formas de bem viver no mundo. 

 

Nas palavras de Ailton Krenak, liderança indígena, “precisamos romper com a ideia plasmada de humanidade homogênea”. Precisamos superar a ideia de crescimento econômico que reduz a concepção de desenvolvimento. Com o objetivo de apresentar contribuições e estimular o engajamento de novas pesquisas e ações no campo da educação ambiental e cultural críticas, trazemos um breve material que aborda a percepção, a interpretação e a conscientização como alternativas para a preservação das cavernas, o fomento ao turismo de base comunitária e a visibilização de culturas e modos de vida relegados pelo poder público e desconhecidos por grande parte da sociedade. Conexão de saberes é o nome, mas também a missão, e foi construída com bastante carinho e a muitas e ancestrais mãos, corpos, mentes.

 

Plante a semente: espalhe a palavra!

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Nessa edição você encontra:

- manifesto espeleológico
- mineração e seus impactos sociais, ambientais e culturais
- a espeleologia como alternativa sustentável para o desenvolvimento social local
- a percepção como aliada da preservação
- turismo como prática sociocultural
- turismo de base comunitária